Minha “Wine” experience

Perdão pelo trocadilho tosco do título, mas eu não estou aqui para falar sobre o encontro de vinhos. Quem me segue no Facebook ou Twitter pode já saber que eu estava procurando um clube de vinhos e/ou de cerveja para participar, aumentar o meu rol de rótulos preferidos e, simplesmente, relaxar em casa enquanto minhas garrafas chegam sem esforço. Ainda não escolhi um clube cervejeiro (embora já tenha uma boa noção de qual eu quero), mas escolhi assinar a Wine para ver no que dá.

O fato é que eu já trabalhei no ramo, e tenho algumas ressalvas sobre o modo como o comércio de vinhos é feito. De qualquer forma, a bebida no Brasil é tão absurdamente taxada até chegar às baias das lojas, que não tem muito para onde fugir. Aliás, tem sim: pro aeroporto, pro Free Shop, etc. Fora isso, não. Por isso, eu resolvi ignorar as minhas ressalvas e assinar, para contar para vocês se valeu a pena a “Wine” experience.

A Winebox

Wine 1 - Outubro

A primeira caixa chegou bem rápido, dentro do prazo, cerca de uma semana depois de assinada. Pedi a caixa de 2 vinhos, que, teoricamente, custaria entre 80 e 100 reais, dependendo do acordo que a Wine fizesse com as produtoras/revendedoras. A primeira má impressão que eu tive foi que, junto com a minha perimira remessa, veio também uma carta dizendo que o preço iria aumentar. Mas já, Brutus? A razão seria o aumento do dólar.

Ignorada essa notícia, vamos ao conteúdo da caixa. A winebox vem com uma revista, duas garrafas e um mimo fofo, para não deixar a garrafa pingar, com o tema da semana, a Itália. Achei bem cuidadoso e “thoughtful”, sabe? Não é sempre assim com os clubes, galera, e a qualidade da revista também é bem legal.

Uma das maiores reclamações que eu leio dos assinantes sobre os clubes de vinho em geral é que todos eles dão muita ênfase ao vinho tinto e ignoram brancos e rosés, que têm muito mais a cara do Brasil! De fato, dei uma olhada na lista dos vinhos passados e o tinto predomina. Além disso, contei todas as garrafas de vinho que aparecem na revista da Wine, excluído propagandas e os dois vinhos do mês. O resultado foi que dos 27 vinhos que estampam a publicação, somente nove são brancos ou espumantes. Nenhum rosé, uma pena.

As escolhas do mês

Wine 1 - Outubro

Primeiro eu vou dizer a minha opinião, depois a do resto do mundo, ok? E depois, porque eu sou chata, vou falar mal do mundo.

Os dois vinhos, um nebbiolo e um barbera, custam em média R$50. Paguei R$100 nos dois, então não encontrei o grande desconto Wine nessa história. Os dois saíram pelo preço de venda normal. Essa é a minha principal reclamação, já que quem assina um clube, espera uma vantagem financeiramente em cima do valor dos vinhos.

Até ator, só provei o Barbera (escreverei sobre o nebbiolo nesse mesmo post assim que provar, para quem ficar curioso). Ele é um tinto com reflexos violáceos, aroma bem amadeirado, mais que o próprio sabor, fácil de beber e muito saboroso. Segui a harmonização da Wine e fiz uma super massa. Combinou muito bem. É o vinho mais sensacional que você já bebeu? Não. Mas é honesto, super italiano e muito gostoso.

Quando entrei no site da Wine e no app Vivino, no iPad, fiquei chocada com a quantidade de reclamações sobre o vinho. Entendo que ele não vai agradar a todo mundo, mas achei que as pessoas estavam opinando sobre vinagre, não sobre um vinho por pior que qualquer vinho fosse. Nos últimos nos de “internetização” do público, aprendi uma coisa: todo mundo adora reclamar quando não tem ninguém olhando.

As principais queixas eram de que o vinho era muito ácido e alcoólico. Não achei isso. Pode ser o meu paladar, ou o paladar do reclamão, ou as pessoas simplesmente não serviram na temperatura certa (no dia seguinte, com o vinho guardado na geladeira, achei ele bem ácido. Deixei minha taça subir para a temperatura correta e ele voltou ao normal). Um deles ainda reclamou que o vinho “era sem graça como todos os vinhos italianos”. Ignorei solenemente essa generalização tão sem fundamento. Não sei se todas aquelas pessoas eram especialistas em vinho que só bebem Château Lafite, ou simplesmente malas, mas o vinho foi honesto, na minha opinião. Não custou R$300, custou R$50. Devia ter custado R$40, para ficar dentro da margem da Wine e ainda dar um desconto de verdade.

So…?

Tenho que dar uma nota? 8. Tiro um ponto por ignorar nossos vinhos clarinhos e outro ponto por não apresentar um desconto digno de clube. Fora isso, achei as escolhas sensatas, o prazo funcionou, as garrafas chegaram inteiras e continuo assinando. Mês que vem eu conto as impressões da próxima caixa!

 

Editado em: 01/10 – A quem interessar possa… Os enochatos assinantes da Wine estavam certos sobre o Nebbiolo. Provei ontem e realmente não é nada equilibrado em termos de álcool,  e um pouco sem personalidade e sabor. Mas mantenho minha opinião sobre o Barbera!

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