Livro: O peso das dietas

“‘Todo mundo tem direito ao prazer de comer.’ Essa é a primeira frase do documento elaborado pelo governo francês com conselhos sobre nutrição. Da mesma forma que numa democracia todos têm direito ao voto, por exemplo, a França reconhece que comer com prazer é um direito dos cidadãos”.

A frase acima dá início a um dos capítulos do livro sobre o qual eu vou falar hoje: “O peso das dietas“. E vai ser polêmico – até dentro da minha casa. A PhD em nutrição, a francesa Sophie Deram morou nos Estados Unidos e no Brasil e nos dois países ficou chocada com a importância que as pessoas davam a conceitos complexos da nutrição. Enquanto na França, as francesas estavam mais interessadas na maravilhosa gastronomia, conhecida como a melhor do mundo.

A base da comida francesa é a manteiga e mesmo assim, nós e as americanas ganhamos quando o quesito é gordura. A principal teoria da nutróloga é que tanto terrorismo entorno do prato de comida faz justamente o famoso efeito rebote. E o resultado são pessoas que pensam cada vez mais em emagrecer, e acabam cada vez mais engordando. De quebra, conseguimos estragar momentos como festas de aniversário, pizzas de sexta-feira, almoços de domingo, transformando o prazer e a saciedade em culpa e medo.

Ela pontua três regras básicas para melhorar a sua relação com a comida:

  1. Não fazer dietas
  2. Comer comida “de verdade”
  3. Cozinhar

Não me surpreendi de encontrar esse conceito que eu estou vendo cada vez mais ultimamente, seja com o Michael Polan, seja com a Laura Pires ou no documentário Muito além do peso: a “comida de verdade”. Apesar de não demonizar tanto quanto eles (e quanto eu!) os ultraprocessados, ela defende que você coma cada vez mais alimentos “de verdade”, feitos em casa.

Óbvio que não concordo 100% com tudo o que a Sophie diz no livro (eu nunca concordo 100% com ninguém). Achei que ela bateu muito na mesma tecla sobre as dietas restritivas, sem dar realmente um caminho das pedras para quem precisa perder muitos quilos. Afinal, o emagrecimento de longo prazo que ela prega pode ser um prazo imenso para quem precisa perder mais de quinze quilos, por exemplo, o que desanima.

Quanto às dietas restritivas, a Sophie até admite que elas vão levar a uma perda rápida de peso, mas vão trazer junto a possibilidade de ganhos maiores no futuro, além de romper com uma relação preciosa entre você e o seu alimento.

“É importante ter moderação em tudo, sem demonizar nenhum alimento! O Dr. Hu diz ainda: ‘A abordagem focada nos macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) é ultrapassada. Acho que futuras orientações dietéticas vão colocar mais e mais ênfase na comida de verdade em vez de oferecer um limite’ (…) A verdade é que na comida de verdade não existe excesso de açúcar ou gordura: tudo vai depender do preparo dos pratos e de como você escolhe cozinhar”.

Mas a parte mais importante para mim foi a questão de como estamos criando as futuras gerações. Afinal, as memórias afetivas que nós temos da nossa infância são relacionadas a eventos como uma festa de aniversário, aquele encontro semanal de família, aquele jantar regado com mesa posta, a ceia de Natal cheia de rabanada, o piquenique de doces feitos em casa. No meu caso, o bolinho de chuva que minha mãe fazia para mim à tarde – frito, cheio de açúcar e canela, mas sem culpas e sem ressentimentos. E isso me lembrou o livro Minha mãe fazia, que eu também já mostrei por aqui – tão simples e tão importante.

A alimentação é mais do que uma forma de nutrir o corpo e o nosso cérebro sabe disso, tanto que situações de ansiedade fazem você digerir de forma diferente a mesma comida. Medo de comer demais e sentimentos de culpa associados à comida tendem a causar transtornos alimentares. Quais são os sentimentos que estamos embutindo na alimentação das próximas gerações?

“É normal festejar comendo e é normal comer mais em eventos sociais. Nosso corpo aguenta bem o excesso se ele não for cotidiano; (…) O ganho de peso é um mecanismo complexo que reage a muitas informações; a caloria é só uma delas.”

Para terminar, tem receitas! E elas parecem super simples de fazer e, claro, já estou separando algumas delas para incluir no meu menu semanal e colocar aqui.

Clique para ver o livro na Amazon

Written by

Leave a Reply