Circuito Rio Show de Gastronomia – Ceviches

Margarita Isabel

Quem acompanha o Twitter do blog (@raizdegengibre) já sabia que eu estava atrás de uma companhia para ir ao Circuito Rio Show de Gastronomia comigo. Nada feito. Minhas amiguinhas gostam mais de comer do que de assistir palestras (I don’t blame them) e, ainda assim, eu desconfio que eu ainda gosto mais ainda de comer. Então, como eu não podia perder isso de jeito nenhum, me cadastrei em três palestras (era o número máximo!), me vesti de jornalista (bloquinho e câmera na mão!) e fui cobrir o evento para o blog, afinal, você vai ver a cobertura super “imparcial” do Globo sobre o evento que eles mesmos organizaram, mas não com os meus comentários, néam?

O Circuito começou ontem (sexta-feira) e vai até domingo. Me inscrevi em: “O legítimo Ceviche”, com Margarita Isabel; “Viva o vinho brasileiro”, com representantes de seis vinícolas brasileiras; e “Por uma memória que nos sustenta”, da chef pop Roberta Sudbrack. Os dois primeiros foram ontem, mas eu vou dividir em dois posts para não fazer um post imenso!

Macarons - Le Vin Do lado de fora das palestras, temos alguns estandes de restaurantes famosos do Rio. Rodei um pouquinho e meus olhos foram puxados pelos macarons do Le Vin! Eu já estava na vibe macaron há algum tempo, pensando em quando eu ia fazer os meus, por isso nem pensei duas vezes. R$2,50 cada – comprei um de pistache e um de amêndoas. Nisso eu ouvi alguém falar que já tinha fila para entrar e corri para lá, deixando para comer meus macarons na fila, que, aliás, não devem nada para os franceses (mentira!)!

Atraso protocolar brasileiro. Eu, como boa chata, já estava entediada de ficar mais de meia hora em pé na fila. Quando finalmente abriram a porta, saí correndo para garantir um lugar lá na frente e conseguir fotografar melhor, mas as duas primeiras fileiras eram VIPs. Como não chegou nenhum VIP (pobre Margarita) eles liberaram as cadeiras para os meros mortais. Pulei para a frente asap!

Margarita Isabel O legítimo ceviche – Margarita Isabel

Pela primeira foto já dá para notar que a Margarita é uma fofa, né? Ela nasceu em Lima, no Peru, e é dona do Intihuasi, restaurante peruano no Flamengo. Para começar, vale explicar o que é um ceviche. É um prato feito com peixes ou frutos do mar crus (cozidos só no sal e limão) e alguns temperos, pimentas etc. A história do ceviche data de quando os pescadores peruanos tinham que conservar o peixe até chegar aos incas. O peixe naquela época era conservado no sal, por isso era preciso encontrar alguma coisa que desalgasse o peixe depois, como um ácido. Eles começaram a usar o “tumbo” uma fruta da família do nosso maracujá.

Outra coisa, você pode chamar de “ceviche”, “cebiche”, e até de “seviche” ou “sebiche”. A Margarita gosta de escrever “cebiche”, porque desse jeito, nós, brasileiros, falamos com uma pronúncia mais parecida com o espanhol dela. Falando nisso, o portunhol dela do começo da palestra terminou em espanhol com raríssimas palavras em português, o que não atrapalhou a vida de ninguém.

Cebiche Ela ensinou dois tipos de ceviche: um de frutos do mar e outro de linguado. Eles serviram esse primeiro para degustação, o que me fez comer lula! Não, normalmente eu não como lula. Acho que eu comi também um pedacinho de polvo e todos os camarões, só as vieiras que eu não tive coragem ainda. E quer saber? Estava uma delícia. Mas enquanto ela fazia, eu presenciei essa discussão ótima das velhinhas do meu lado (que, aliás, não calaram a boca a palestra inteira! Sem contar que elas não prestavam atenção e me perguntavam a mesma coisa que a Margarita tinha acabado de explicar):

– Até agora nada de ela levar isso ao forno né? Nem tem forno!

– Acho que ela já cozinhou!

– Antes de entrar?

– Não, no limão e sal, foi o que ela disse…

– E desde quando limão e sal cozinha?! Tem que levar ao forno, senão fica cru! Por isso que eu não como comida japonesa, é tudo cru! Tá cru!

Então, gente, caso vocês sejam iguais a essas velhinhas, modernizem-se. Não tá cru, tá? E até elas amaram no final!

Margarita Isabel O ceviche de linguado é mais ou menos assim:

O linguado é limpo e cortado em cubinhos (3 filés para 2 porções). Coloca os cubos em uma tigela e o suco de 4 limões por cima, tomando cuidado para não cair também o sumo da casca, que é ácido. Adicione sal e espere o linguado mudar de cor. O limão precipita as proteínas do peixe, que vai ficar com uma cor leitosa, o que significa que já está “cozido”. Corte uma cebola roxa bem fininha e, para ela continuar crocante, lave bastante e deixe os pedaços em água fria (essa eu não sabia!). Cozinhe também milho e batata doce. Junto ao linguado, você mistura uma pitada de coentro, a cebola e pimenta. Ela usa um creme de aji amarillo, mas pode ser uma pimenta similar, um dedo de moça, enfim, o que você tiver de pimenta em pasta e mais algumas cortadinhas. Para montar o prato: duas folhas de alface roxa (para imitar as algas, que são usadas no prato original peruano), o ceviche, o milho e a batata, com algumas cebolas por cima, como naquela foto acima.

A de frutos do mar é bem parecida, só muda o fato de que eles não vão crus. Precisam ser feitos (do seu jeito mesmo) separados antes de começar o ceviche, e depois misturados aos outros ingredientes. Esse leva: linguado, camarões, vieiras, polvo e lula.

Stand Estácio A palestra foi ótima, até as velhinhas aprovaram e ainda disseram que foi “melhor que a outra”, o que eu não posso conferir, porque não tinha ido na outra. Enquanto isso, aconteciam outras palestras no estande da Estácio (que, aliás, tem me surpreendido com o investimento deles em gastronomia). Depois dessa, eu fui direto para a fila da palestra seguinte, sobre vinhos brasileiros. Mas amanhã, depois da Sudbrack, vou tentar ver alguma palestra da Estácio, que são menores e parecem mais confortáveis (foto ao lado). Depois eu escrevo sobre a palestra de vinhos e o meu micão.

Lembrando que é só clicar na foto para ver grande, ok? Para ver todas elas no Flickr, clique aqui.

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2 comments / Add your comment below

  1. Gostei muito dos seus comentários. Também estive lá e como sempre é um evento muito organizado e cheio de aprendizados. Me permita fazer uma correção lá do Flickr. O nome correto da sommelier é Deise Novakoski. Ah, suas fotos estão lindas! Vou esperar as do Sábado. Posso pegar umas prá mim?

  2. Verdade, Kátia! No Flickr saiu errado o nome da Deise, vou corrigir já. Ainda não postei os de sábado no blog, mas as fotos já estão lá. Pode pegar sim, só não esquece dos créditos, ok? 😉
    bjs

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