Carol e a busca pelo “vinho de aniversário”

Quinta do Côtto 1987

Para fazer um vinho de qualidade, você precisa de uma série de coisas, como solo, clima, habilidade, tecnologia, boa produção… Enfim, o chamado terroir, certo? Existe todo um caminho complexo que o vinho leva desde a muda de vinha até a sua taça, toda uma história. Não sei se vocês eram muito fãs das aulas de História, mas eu era. Imagine então degustar um vinho que passou por todo esse cuidado no mesmo ano em que você nasceu! É isso que fazem muitos amantes do vinho pelo mundo: procurar a garrafa que melhor represente a sua própria idade ou, ainda, garantir um estoque para seu filho assim que ele nasce. Se você for enófilo de carteirinha e apreciador de tradições, pode começar a pensar nisso. Quando eu comecei a estudar sobre vinho (algo além de “huuum, boooom”, e “eewww, ruim”), entrei nessa neura de caçar o meu vinho, e tinha até o dia 8 de setembro para encontrar!

Pode parecer um hobby simples, dependendo só de quanto dinheiro você está disposto a gastar, mas não é bem assim. A sorte acompanha quem procura o vinho de sua data de nascimento. Digo isso como nativa da “safra” de 1987, ano de qualidade muito baixa, mesmo em regiões tradicionais, como Bordeaux. No “meu” ano, salvaram-se os da Rioja, na Espanha, e alguns californianos, além de vinhos do Porto. Procurar um vinho tinto de qualidade da safra de 1987 pode te levar a lindíssimas garrafas do raro Château Petrus Pomerol, um corte de Cabernet Franc com Merlot, de Bordeaux, que pode ser encontrado pela bagatela de R$ 10 mil (juro, já encontrei esse na internet). Se você não foi agraciado com uma safra de ótimos vinhos de guarda e, consequentemente, o poder da escolha, é preciso um pouco de pesquisa para encontrar o vinho certo. E é aí que entrou… a vovó!

“Viajadeira” que só, vovó estava lá pelas bandas de Lisboa e eu deixei com ela a incumbência de me trazer o meu “vinho de aniversário”. Um tinto, e não Porto, da safra de 1987. E não é que ela encontrou? (Obrigada, vovó!)

Ainda não faço ideia de como está este vinho, e isso faz parte da surpresa. Depois de uma experiência não tão agradável com uma rolha velha em um Côtes Du Rhône, vou começar agora a procurar um abridor específico para vinhos antigos, além de um decantador. Além disso, tenho que conseguir a carta de alforria do meu médico para o dia do meu aniversário, depois de explicar para ele que não é todo mundo que comemora 25 anos com uma garrafa de 25 anos.

Fui caçar um pouco mais sobre a casa que fez o meu vinho.  A Quinta do Côtto fica no Douro, uma das primeiras denominações de origem do mundo. A vinícola tem 70 hectares e produz dois vinhos: o Quinta do Côtto e o Côtto Grande Escolha, que é como se fosse o “Reserva” deles. Não sei se em 1987 ainda era assim, mas a colheita das uvas para este vinho começa no dia 9 de setembro, um dia depois do meu nascimento (eu sei… no dia 9 estavam sendo colhidas as uvas para a safra de 1988, but stil…). As uvas dele costumam ser: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Francesa e Sansão (esta última eu não conhecia). Não sei ainda se esse é um vinho que envelhece, mas, como eu disse, faz parte do show.

E se mais alguém encontrar um 87 dando sopa por aí… Ano que vem eu faço aniversário de novo! 😉

Curiosidade
A procura pela safra certa não é novidade. Na Inglaterra, é comum, ao nascer um bebê, comprar uma caixa de vinhos do Porto Vintage que vão amadurecer junto com a criança. Como se sabe, vinhos fortificados como o do Porto costumam ter tempo de guarda maior do que os demais vinhos, então sobrevivem esse tempo todo.

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3 comments / Add your comment below

  1. Só indo pros lados das europa para encontrar um vinho desse e com um preço acessível. Boa sorte e recomendo o decantador urgentemente….

  2. As uvas Sansão ficam ótimas em corte com uvas Dalila. As primeiras perdem os ramos superiores (cabelos) e em seguida ficam sem força.

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