#10 Smørrebrød (Dinamarca)

A receita de hoje é tão fácil, que nem devia se chamar receita. Mas depois de provar, ela se provou tão complexa, que deveria vir com instruções. Vou explicar! Mas antes, clica aqui, se você ainda não leu os outros posts da série Copa na Cozinha.

Você já leu “O segredo da Dinamarca“? Nesse livro extremamente fofinho, a jornalista britânica Helen Russell se muda para a Dinamarca para acompanhar o marido, que consegue um emprego na Lego. Ela resolve então investigar o que faz dos dinamarqueses o povo mais feliz do mundo – posição que eles ostentam nas pesquisas ano após ano. Ela chega a uma infinidade de explicações, incluindo até mesmo um gene, que eu e você não temos, mas quem é descendente de dinamarquês, tem! Mas além da genética, está também o esforço que os dinamarqueses fazem para que tudo fique bonito. A arquitetura, a decoração das casas, as ruas… e as comidas. O visual, para eles, é tão importante quanto o gosto, ou o conforto.

Foi nisso que eu pensei vendo imagens dos smørrebrøds na internet antes de fazer o nosso. A receita, em si, não é nada demais! Consiste em um pão escuro dinamarquês feito de centeio (mas que tem cheiro de passas), com coberturas diversas. Como um buffet empresarial, mas turbinado. Só que eles fazem tudo parecer ainda mais gostoso do que realmente é – e isso a gente iria confirmar mais tarde. O primeiro passo foi conseguir o tal pão dinamarquês (o Léo encontrou em um Zona Sul, aqui no Rio de Janeiro, caso alguém queira provar).

Essas foram as nossas versões do Smørrebrød

A inspiração

Como falei, me inspirei por fotos. O salmão defumado já estava garantido na minha cabeça, já que os nórdicos curtem muito um salmão (e eu também). Tínhamos um socol guardado em casa, que logo serviu de inspiração para outro smørrebrød. Para terminar, pensamos em curry com ovo.

Mas antes disso, dá uma olhada nessas fotos do Pinterest para ver o que tínhamos em mente:


Léo Neves é jornalista, viciado em esportes e comilão

Toque do Léo

A Dinamarca tenta reencontrar o sucesso dos anos 90, quando foi campeã da EuroCopa (92) e da Copa das Confederações (95) com uma equipe que ficou conhecida como “Dinamáquina”, pela postura tática e enorme talento. Jogava como um rolo compressor contra seus adversários. Muito por conta dos irmãos (Brian e Michael) Laudrup. No gol estava Peter Schmeichel, pai do atual goleiro da seleção dinamarquesa.

Para isso, conta com nomes como Eriksen, principal jogador dinamarquês da atualidade, Schöne, Dolberg, Fischer, Larsen e Poulsen. Curiosidade ou não, a maioria desses jovens que dão nova cara aos Danish Dynamites, jogaram ou jogam no Ajax, da Holanda, que geralmente busca talentos por aquelas terras.


Ingredientes e como fazer

Não vou dividir essas duas coisas em duas porque, sinceramente, vai da sua criatividade. Pode dar uma olhada em fotos na internet se precisar se inspirar. O único ingrediente obrigatório, como falei, é o pão dinamarquês. Fizemos 3 tipos de smørrebrød e eu já vou falar o que achamos de cada um:

  • cream cheese, salmão defumado, alcaparras
  • maionese com curry, ovo cozido, cenoura ralada e salsinha
  • pastinha de ervas, socol, cebolinha

O resultado

O que eu preciso dizer antes de tudo é que o pão dinamarquês é muito forte! Eu adoro pão escuro e aqueles pães europeus bem duros me lembram muito o meu intercâmbio, por isso são queridões. Mas o dinamarquês é algo completamente diferente: como eu falei, ele tem um cheiro adocicado de uva passas, cheguei até a procurar nos ingredientes, mas não levava passas. Por causa dessa “força” toda, o smørrebrød de socol com pastinha de ervas não ficou bom. Nenhum dos ingredientes era forte o suficiente para competir com o pão e foram “engolidos”, com o perdão do trocadilho. Já os outros dois ficaram muito gostosos. O salmão defumado com alcaparras combinam muito com o pão, o prato, o país, tudo! E o curry briga de igual para igual com o pãozão! Por isso, pense muito bem nos seus “toppings”, porque pode ser um pouco mais completo do que jogar um queijo com presunto por cima.

A parte de fazer aquela beleza toda dos dinamarqueses, a gente bem que tentou, mas acho que eles ganham de lavada, né?

Por aqui, vamos continuar fazendo nossos sanduíches como sempre fizemos, mas já dá para aceitar sem medo no dia em que formos convidados para um casamento dinamarquês (porque não?).

Você já provou o smørrebrød ou o pão dinamarquês? Deixa aqui nos comentários. E clique aqui para ver todos os posts da série!

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